Por Juraci Baena Garcia*
A minha resposta é sim.
Síndico não é produto perecível, mas tem prazo de validade sim, sendo preocupante a permanência de uma única pessoa no cargo de síndico por muito tempo. Em minha opinião, todos os condôminos deveriam exercer esta função, adquirindo experiência no exercício do cargo e com isto entender melhor o funcionamento do condomínio
Digo isso porque atuo há 13 anos em uma entidade sindical e empresarial, participando ainda de congressos, encontros e cursos diversos, mantendo contato com centenas de pessoas que atuam em empresas especializadas em administração de condomínios, possibilitando uma excepcional troca de experiência neste ramo.
Ao longo dos anos, observo diversas situações em que a comunidade elege o síndico e, algum tempo depois acaba exorcizando o mesmo por uma série de fatores. Com isto, nosso incauto herói perde muitas noites de sono, amizades e até brigas no lar por causa do condomínio.
Vamos exemplificar: um condomínio com cerca de 80 unidades acaba de eleger o síndico. Ao assumir o cargo, o eleito enfrenta uma pequena confusão na garagem entre dois moradores, ambos alegando razão, diga-se de passagem.
O síndico pede um minutinho, surgindo o primeiro problema: ambos estão com pressa e, sem cerimônias, manifestam a opinião de que seria um absurdo não serem atendidos de imediato. Sem ação, até pela falta de experiência, o síndico chega a ficar na indecisão por alguns segundos, recuando em seguida e convidando ambos para uma pequena reunião no Salão de Festas.
Lá, o síndico ouve pacientemente os detalhes do ocorrido e diz que vai consultar a administradora. Novamente questionado, aceita discutir ali mesmo, cometendo seu primeiro erro: não dividir a responsabilidade da decisão.
Entendendo que, apesar do outro veículo ter quase invadido a garagem vizinha, ainda estava dentro da sua área, concluindo que o errado era o condômino que tentou sair sem antes chamar seu vizinho.
O condômino, favorecido pela decisão do síndico, despediu-se feliz da vida. Enquanto, o síndico ficou escutando os protestos do condômino, que sentiu-se prejudicado e ameaçou processá-lo por constrangimento, além de despejar várias palavras e baixo calão. Chateado, o síndico foi pra casa, contou para a família e ouviu um sermão, indagando por que aceitou este cargo.
Cenas como essa acontecem diariamente, em vários horários e locais. Problemas com garagens, barulho, vazamentos, animais, crianças, consertos, funcionários, terceiros, compras, ação de cobrança contra inadimplentes, reclamações trabalhistas, falta de água ou energia, elevador quebrado e tantos outros "abacaxis" que o síndico tem que descascar ao longo da sua gestão.
Ao final de um ou dois anos, lá está o síndico - amado por uns e odiado por outros - e, o que é pior: ignorado pela maioria, que silenciosa, não participa de nada ou, quando se dispõe, geralmente, só critica. Então, o que fazer. A construção da resposta fica para o próximo artigo. Até lá, boa sorte, síndico!
(
*) Colunista SíndicoNet: Juraci Baena Garcia
Currículo: Juraci Baena Garcia - diretor eleito do SECOVI SP; sócio-diretor da VILLAGUA Condomínios & Imóveis; ARM – IREM EUA; formado em Negócios Imobiliários pela ULBRA RGS; cursos do PQE e Universidade Secovi SP, desenvolveu consultoria junto ao BID sobre Habitação de Interesse Social, ministra palestras voltadas ao mercado de administração de condomínios, participando ativamente em eventos nacionais e internacionais sobre gestão imobiliária
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